WUD 2018 @ CCG – pensar na usabilidade para todos

O Domínio de Investigação Aplicada PIU: Perception, Interaction and Usability, do Centro de Computação Gráfica (CCG), assinalou o Dia Mundial da Usabilidade 2018 (WUD – World Usability Day), com uma conferência (a 8 de novembro) e um Open Day (a 9 de novembro) relativos à temática.

WUD 2018, Dia 8: Conferência “Designing for Good or Evil?”

A quarta edição do evento organizado pelo CCG teve como mote a questão: “Designing for Good or Evil?”, e contou com a presença de peritos nacionais e internacionais, que versaram a importância do trabalho centrado no utilizador para a usabilidade de qualquer produto ou serviço.

O processo de design tem uma enorme influência no comportamento das pessoas. Nesta edição apresentaram-se produtos e serviços da área médica, plataformas de programação e ferramentas de cidadania, como são as lojas de cidadão ou o espaço óbito. Foi conclusão que o design deve ser visto como uma missão, devendo ele ser inclusivo e acessível, e tanto a usabilidade como a acessibilidade de um produto devem ser encaradas como ativos.

O arranque do dia foi dado por Carlos Silva, coordenador de desenvolvimento do Domínio de Investigação Aplicada PIU do CCG, que organizou o evento, e apresentou alguns dos projetos deste domínio do presente (ANPEB, 3D Car Cluster, CHIC) e desvendou um pouco dos projetos PIU do futuro próximo (Protouch e 5G-MOBIX).

De seguida inaugurou-se a sessão sobre usabilidade em Saúde e dispositivos médicos com Ana Correia de Barros, da Fraunhofer AICOS, que nos apresentou alguns princípios para o bom design na indústria. Não existe prescrição médica para o mau design. Existem sim dúvidas que assolam os designers industriais, assim como escolhas muito importantes a fazer no design industrial, enquanto se consideram 3 perspetivas em cada desafio (coisas, inteligência, pessoas). Estas considerações podem conduzir um designer para levar ao bem ou para o mal.

Inês Martins e Diogo Lopes, Adapttech, partilharam experiências em questões como a monitorização de próteses, a margem para inovação neste ramo e as peculiaridades do processo de certificação. Partilharam com a audiência da necessidade de realizar testes de dispositivos com utilizadores para encontrar falhas e adquirir dados para saber se realmente estão a resolver problemas.

A primeira sessão de Produtos e Serviços centrados no utilizador foi apresentada por António Silva (Faculdade de Letras da Universidade do Porto) e Bruno Giesteira (Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto) com uma apresentação intitulada “A malvadez do design dos objetos quotidianos”, cujo objetivo principal era o de mostrar que os objetos de rotina têm de ser inclusivos. António Silva, professor na FLUP e invisual, registou durante duas semanas a acessibilidade dos objetos do seu quotidiano, tanto em casa como na faculdade, testando o design destes para o bem ou para o mal. Partilharam com a audiência as suas dificuldades na utilização de máquinas de senhas, máquinas Bimby, placas de forno, micro-ondas, máquinas de lavar, elevadores, vending machines, impressoras, entre outros.

Ricardo Ferreira, da Outsystems, partilhou com a plateia a história de sucesso da empresa a integrar serviços de design centrados no utilizador com o desenvolvimento do produto – não sem as suas dificuldades e falhas pelo caminho. Concluiu que é imperial experimentar, pensar tudo de novo, juntamente com uma equipa de design, para se conseguir criar produtos com os quais os utilizadores se apaixonem à primeira vista, e com os quais se mantenha uma relação a longo prazo.

A sessão da manhã foi concluída por Bruno Monteiro, do LabX, que referiu que qualquer transformação tecnológica deve ter em conta a integração da população. Existem constantes mudanças nas prioridades e comportamentos, na exigência, e nos paradigmas. A fórmula de trabalho ideal contempla três ações: pesquisar, criar, testar (research, design, and experiment).

A sessão da tarde deu continuidade ao tema do desenho de produtos e serviços centrados no utilizador. Começou com a apresentação de Ana Parada, da Advertio, que comunicou que se um User Interface é bonito, devemos também ser capazes de o usar. Falou também de alguns dark patterns que influenciam negativamente a interação com interfaces e que, enquanto humanos, prestamos mais atenção às experiências negativas do que às positivas e neutras.

De seguida, Alison Burrows, da Univesity of Bristol, partilhou as boas e más experiências relacionadas com a concretização de um projeto de User Experience Design, de larga escala (SPHERE) com a realização de estudos etnográficos para a instalação de equipamentos de monitorização do bem-estar em cerca de 100 casas no Reino Unido.

Paula Trigueiros, da Universidade do Minho, seguiu-se com um reflexão sobre como o design é importante nas nossas vidas, pois faz-nos sentir melhor. A mensagem que pretendia transmitir dizia que, por vezes, talvez não seja necessário criar algo de novo, mas apenas adaptar, ajustar. Adaptar para tornar as coisas melhores, já que pequenas mudanças podem fazer toda a diferença. Dividir o problema é uma tarefa muito importante em usabilidade.

Finalmente, o keynote speaker do evento Andy Schaudt, do Virginia Tech Transportation Institute, analisou o presente e futuro da condução autónoma, onde apresentou o humano como um passageiro e não um condutor.

WUD 2018, Dia 9: Open Day @ CCG

O segundo round do WUD 2018 no CCG consistiu num Open Day com demonstrações dos trabalhos CCG e apresentações do domínio PIU.

Em discussão esteve a paisagem nacional da usabilidade.

Após esta apresentação seguiu-se a mesa redonda do Open Day com: Paula Trigueiros (UM), João Moutinho(CCG – UMC), Carlos Silva (CCG – PIU) e Andy Schaudt (VTTI) . Os tópicos em discussão foram os desafios de usabilidade: dispositivos médicos, veículos autónomos, novas interfaces e smart cities. A sessão moderada por Emanuel Sousa (CCG – PIU), rapidamente ganhou vida e abordou temas como a definição do futuro que falamos, e como uma aposta numa melhor educação poderia resultar em produtos e serviços mais inteligentes, e mais centrados em todos os seus utilizadores.  Concluiu a mesa que o desenvolvimento tecnológico é circular: basta começar com a melhoria da vida de uma pessoa que afetará eventualmente a vida de muitas outras.

A mesa redonda terminou com um convívio entre os oradores e a equipa PIU do CCG.

O Open Day concluiu no Porto, com a realização do MeetUp Porto.UX, onde Beth Goldman da feedzai e Maggie Law da okta apresentaram exemplos de trabalhos de design que poderiam tanto ser interpretados como bons ou maus, numa importante reflexão sobre a ética no design.

Demonstração CCG PIU – som binaural em tempo real.

Demonstração CCG CVIG.

Mesa redonda sobre os desafios da usabilidade.

Final do Open Day no CCG.

Beth Goldman da feedzai no MeetUp Porto.UX.