Paterson: abordagem centrada no utilizador para o redesenho dos alarmes sonoros de dispositivos médicos.

No âmbito do projeto Paterson, o dia 10 de julho 2020 foi dedicado à discussão sobre o ambiente sonoro dentro dos hospitais.

Este projeto de investigação (Compete 2020, FEDER, FCT) conta com a participação do Centro de Computação Gráfica, através do seu grupo de Perceção Interação e Usabilidade. Fazem também parte do consórcio a Universidade do Minho e a Universidade de Aveiro.

Carinhosamente apelidado de Paterson, em homenagem ao primeiro investigador a debruçar-se experimentalmente sobre o desenho de alarmes sonoros, este projeto pretende seguir uma abordagem centrada no utilizador para o redesenho dos alarmes sonoros de dispositivos médicos.

A abordagem é fortemente centrada na psicofísica e neurofisiologia, com o objetivo de obter uma biblioteca de alarmes mais informativos, detetáveis e com maior usabilidade. Pretende-se assim reduzir a probabilidade de erros que possam resultar em consequências graves para os pacientes.

 

A apresentação de trabalhos foi aberta ao público, realizada na plataforma Zoom, e contou com a participação de todos os investigadores e investigadoras envolvidos no projeto, bem como curiosos de outras instituições ou de empresas da área acústica.

A abertura ficou a cargo do Professor Guilherme Campos (UA), investigador responsável do projeto.

Joana Vieira (CCG) apresentou um estudo recente sobre a categorização de sons, recorrendo a uma metodologia de agrupamento em categorias pré-definidas. Este estudo permitiu selecionar um conjunto de sons familiares (everyday sounds) que os participantes facilmente associam a categorias como Ventilação, Cardíaco ou Pressão Arterial. Com este pequeno conjunto de sons serão feitas variações e estilizações de modo a obter alarmes que informem sobre a causa do alarme.

Outra caraterística importante de alarmes no ambiente ruidosos que são as cirurgias ou as salas de recobro, é a sua detetabilidade. Frederico Pereira (CCG) apresentou uma ferramenta para estimar o mascaramento de qualquer tipo de sinal auditivo. Esta ferramenta irá permitir testar de antemão a resistência dos novos sons aos ambientes a que serão expostos.

Vasco Ferreira (UMinho) apresentou um inovador estudo comparando a resposta neural de alarmes de diferentes prioridades através de um estudo piloto com EEG. Adicionalmente, além dos resultados obtidos com o paradigma Mismatch Negativity, foi também apresentado o sucesso de um novo paradigma de avaliação de estímulos sonoros, que tinha como ruído de fundo o som de uma cirurgia real, atribuindo assim maior valor ecológico aos resultados.

A sexta-feira de tarde chegou oficialmente com um beer-break, o momento de relaxe e convívio possível entre todos os convidados.

Rui Marques (CCG) abordou as suas técnicas de design sonoro de alarmes clínicos, percorrendo várias sequências executadas em MAX-MSP.

A última intervenção coube a Tom Barker (UMinho) com a apresentação de um protocolo de um estudo a realizar recorrendo a Machine Learning para o desenho de alarmes clínicos.

O momento de discussão que se seguiu assinalou a importância do projeto para o bem-estar de pacientes em ambientes hospitalares cada vez mais tecnológicos e, consequentemente, ruidosos. Com cada vez mais empresas a fazer sonic branding (todos nós reconhecemos os sons do Facebook ou os sons do Whatsapp) para as suas marcas, a usabilidade do som será certamente uma das apostas do futuro.