Os Domínios de Investigação Aplicada do CCG: Presente e FUTURO – UMC

Antes de fazermos uma viagem até ao futuro temos de começar pelo cenário do presente.

O departamento UMC – Urban and Mobile Computing – que coordeno, é o departamento que lida com os desafios da inteligência urbana, da computação urbana. Portanto, é o domínio que lida efetivamente com a problemática que o território nos coloca no que respeita a introdução de tecnologias de informação que apoiem a sociedade e o cidadão.

Presente – Áreas UMC

Somos um departamento que se divide em 4 áreas temáticas, bastante aliciantes no domínio do território.

  • Inteligência urbana: com soluções relacionadas com a inteligência dos mais variados verticais das cidades e também com o envolvimento do cidadão no processo.
  • Saúde: através da telemedicina, que não deixa de ser uma área das cidades inteligentes – principalmente o envelhecimento ativo.
  • Pessoas e transportes: igualmente muito vocacionada para a computação urbana, já que os transportes são efetivamente uma componente muito importante das cidades e da sua inteligência no futuro, no que concerne, por exemplo, a integração seamless dos transportes no nosso quotidiano, numa altura em que o transporte individual é um problema nas nossas cidades. Outras áreas são os sistemas inteligentes de transportes, vulgarmente intitulados de ITS, e com a simulação de redes veiculares no contexto da condução autónoma e das ajudas de condução.
  • Localização: somos também especialistas em localização, com especial destaque na localização em espaços interiores. Este é um problema dos nossos tempos, em que passamos mais de 90% do nosso tempo em espaços interiores, onde o GPS não funciona, abrindo-se um universo de possibilidades quando nos passamos a localizar nestes espaços.

Ubiquitous indoor location – Imagem da apresentação “Os Domínios de Investigação Aplicada do CCG: Presente e Futuro – UMC

Temos connosco uma equipa que colabora ativamente com o Centro Algoritmi, e mais especificamente com os grupos UBICOMP e CCN, que detém um conjunto de especialistas do lado da Universidade do Minho (UMinho) com qual nós interagimos para conseguir trazer a tecnologia ao uso pela comunidade, quer sejam empresas ou território. Temos em particular uma coordenação bicéfala, repartida entre coordenador científico e coordenador de desenvolvimento.

Projetos UMC

  • O projeto SAMU- Smart Autonomous Mobile Units, com a Bosch e a UMinho, integra o uso de robots em contexto industrial e todos os problemas associados. O CCG teve um contributo importante na arquitetura e na localização em espaços interiores.
  • Outro projeto, o LSE – Location and Sensing Engine, está relacionado com a localização em espaços interiores, que abre um universo de possibilidades, ligadas ao controlo de acesso, entre muitas outras. A nossa ótica é localizar o utilizador e fornecer essa localização, se ele o permitir. Imaginem o potencial de termos os nossos recursos em espaços interiores, quer sejam trabalhadores ou cidadãos monitorizados de forma consentida, e daí podermos tirar ilações úteis para várias aplicações.
  • Já o projeto (C4S – Connected Concessions and Citizen Centric Services) tem a ver com a qualidade de serviço nos transportes públicos, uma área muito importante. Os cidadãos têm de se sentir atraídos pelos transportes públicos para que passem a adotá-los.
  • Recentemente integramos um esforço internacional, um projeto H2020 na área do 5G e da condução autónoma e das ajudas de condução utilizando as tecnologias 5G em corredores transfronteiriços. Falo do projeto 5G-MOBIX onde estamos a fazer a coordenação técnica da parte portuguesa do corredor Porto – Vigo. Portanto uma missão muito importante na área das comunicações e dos veículos autónomos e automatizados.
  • Estamos igualmente envolvidos nos laboratórios vivos para a descarbonização da cidade de Braga. Este projeto BUILD tem objetivos muito interessantes no que respeita a inteligência urbana, já que integra as várias novas técnicas e possibilidades do mundo da inteligência urbana para fazer face a alguns desafios da sociedade, num território que nos é muito próximo.

Futuro: os desafios e as possibilidades emergentes

Temos agora a possibilidade de fazer um pequeno vislumbre do que poderá ser o futuro.

Para falar de futuro temos de equacionar os desafios que se colocam nas cidades. Neste momento, quando olhamos para uma cidade, encontramos imensos desafios. Temos desafios relacionados com o estacionamento, com a mobilidade, com a adoção de modos suaves, com o convívio dos cidadãos, com tudo aquilo que são as capacidades e as funções da cidade.

As cidades e as suas potencialidades – Imagem da apresentação “Os Domínios de Investigação Aplicada do CCG: Presente e Futuro – UMC

E temos o desafio de trazer novamente as cidades aos cidadãos. Tudo isto pode ser feito de uma forma inteligente, tudo isto é o futuro do nosso departamento, porque ainda há muito trabalho para fazer.

Uma outra área é a mobilidade.

Para que a adoção dos transportes públicos seja seamless, é muito importante que adotemos práticas que transformem o transporte público num transporte que seja fácil de usar e atrativo para as pessoas.

 

Quando tivermos esse transporte assegurado, dessa forma – quer seja por soluções de bilhética eletrónica integrada, quer seja por transportes intermodais – tudo isso irá facilitar no futuro a adoção de políticas de mobilidade. Um exemplo disso é um esforço recente, que os municípios do quadrilátero estão a desenvolver na adoção de um sistema de bilhética integrada que efetivamente poderá revolucionar a forma como se utilizam os transportes públicos neste espaço.

— IoT. Mais do que um chavão, a interligação de tudo à internet das coisas.

Este é sem dúvida o futuro deste departamento, na medida em que lida com fontes de informação que irão providenciar computação urbana e que irão por sua vez dinamizar todos os processos que ligam estes biliões de dispositivos que todos juntos irão fornecer, transformar dados em informação útil para a sociedade e que, portanto, são a unidade mínima de informação que precisamos para desenvolver a inteligência urbana.

— Não esquecemos desafios como a questão da confiança dos dados.

Neste momento, em que equacionamos vir a ter milhões e milhões de dados, a ser produzidos pelas mais variadas fontes de informação, um dos desafios que se coloca é: até que pontos podemos confiar nos dados? Uma das lutas em termos científicos para os próximos tempos é efetivamente a da confiança dos dados – um desafio muito interessante.

— Outro desafio que se coloca será a questão: se temos mais dados, será que temos mais informação?

O processo de transformar os dados em informação é também um desafio do futuro. Nós lidaremos com a questão, a nível dos sensores, mas terá de haver no futuro processamento de toda esta informação para concretizá-la em informação útil para a sociedade.

— As comunicações. Neste momento são essenciais para ligar estes dispositivos IoT a todos os sistemas que nós queremos.

Estas comunicações podem assumir vários protocolos já existentes no presente, mas irão assumir no futuro aquilo que nós achamos ser a next big thing a que é a comunicação 5G. As comunicações 5G irão resolver uma série de desafios de largura de banda, de latência, no que respeita consumo energético para aumentar a autonomia dos dispositivos. Até a localização em espaços interiores poderá ser alvo de melhorias com esta tecnologia.

— Considero que a localização em espaços interiores também é no futuro, já que ela ainda não é ubíqua.

Neste momento, se quisermos utilizar os nossos telefones para nos localizarmos num edifício, não conseguiríamos utilizar o GPS. No futuro gostaríamos que a tecnologia de localização em espaços interiores pudesse estar à distância de um clique nos nossos telefones, para nos localizarmos no mapa e termos todas as possibilidades que temos nos nossos carros, quando nos dirigimos para um local. Um desafio é sair dum grande edifício (encontrar a saída), sem sermos guiados, por exemplo. Imaginem, portanto, as possibilidades de ter a nossa localização no telefone e de nos podermos guiar através do mesmo.

Deixo este repto: neste momento, em cada semana, 3 milhões de pessoas no mundo movem-se para as cidades. Este tipo de pressão demográfica irá causar problemas no futuro que só mesmo a computação móvel poderá resolver. Assim, o futuro avizinha-se risonho para a área de urban e mobile computing do CCG.

Computação urbana – Imagem da apresentação “Os Domínios de Investigação Aplicada do CCG: Presente e Futuro – UMC


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João Moutinho | Coordenador do D.I.A Urban and Mobile Computing do CCG

João Moutinho é Licenciado, Mestre e Doutor em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores pela Universidade do Porto. Atualmente é coordenador de desenvolvimento do D.I.A. UMC do CCG. Os seus interesses de investigação incluem as áreas de tecnologias de localização indoor, processamento de sinal, electroacústica, psicoacústica e acessibilidade para deficientes da visão.