Mundos Híbridos: a próxima fronteira em Realidade Virtual

Os mundos híbridos são o próximo nível em termos de realidade aumentada e de realidade mista. A criação de mundos híbridos trata-se de misturar, de uma forma credível, o mundo real com o mundo virtual. A realidade mista, tal como existe atualmente, não é suficiente para todas as aplicações, ou seja, o nível de integração ainda não é suficiente para algumas aplicações. O objetivo é adicionar objetos virtuais ao mundo real de forma coerente, como se estes objetos fizessem parte do mundo real.

Mundos híbridos: uma questão de coerência

Falar em coerência é ter em consideração o contexto: é criar uma experiência tendo em conta informações como: o onde? o quando? e o com quem? Muitas vezes estas informações não são tomadas em consideração quando se está a criar uma aplicação de realidade mista.

Esta coerência deve existir a nível visual (geométrico, iluminação e contexto) e também a nível multissensorial (os vários sentidos: audição, olfato, tato, visão, paladar).

Exemplo de coerência geométrica vs coerência de iluminação (à esquerda sem coerência de iluminação e à direita com coerência)

Como chegar ao mundo híbrido coerente?

Para chegar ao mundo híbrido coerente é necessário vencer alguns desafios tecnológicos:

  1. Compreensão da cena – perceber quais são os objetos, qual a geometria correta dos objetos, para os integrar plenamente.
  2. Registo da cena – aperfeiçoar a precisão para os objetos estarem perfeitamente alinhados com o mundo real.
  3. Iluminação consistente – melhorar as técnicas para obter uma iluminação coerente.
  4. Multissensorialidade – aumentar a exploração da multissensorialidade a nível da realidade aumentada.
  5. Interfaces naturais e hápticas – interagir com os objetos virtuais da mesma forma do que com o mundo real, para ter a mesma interação, sem se distinguir o que é real e virtual.

 

Desafios à criação dos mundos híbridos

Exemplo de sobrecarga de informação

Queremos que estes novos mundos híbridos sejam indistinguíveis da interação com o mundo real apesar de apresentarem elementos digitais sobrepostos.

É aqui que os investigadores do CCG entram em cena, para alcançar a interação natural com o mundo digital.

Para isso é preciso responder a quatro desafios, para juntar mundos digitais e sobrepô-los em mundos reais.

  1. Constância da iluminação e da cor – dado os objetos naturais sofrerem alteração de cor ao longo do dia, principalmente expostos à luz natural, é preciso alcançar isso também com os objetos digitais.
  2. Perceção de profundidade – continuar a ver o mundo 3D mas num plano 2D, bidimensional, sem desconforto visual.
  3. Fidelidade na multissensorialidade – como trazer as diferentes àreas sensoriais de forma fidedigna, precisamos de todos os sentidos para interagir com o ambiente, quantos mais sistemas sensoriais juntarmos, mais imersivo é o ambiente.
  4. Sobrecarga de informação – evitar a sobreutilização de tecnologias, o aparato informativo sobre a pessoa.

Os “Mundos Híbridos: a próxima fronteira em Realidade Virtual” é uma apresentação de Luis Magalhães, Coordenador Científico CVIG – Computer Vision Interaction and Graphics, e de Carlos Silva, Coordenador de Desenvolvimento PIU – Perception Interaction and Usability.