Mobilidade sustentável em Portugal: os desafios a vencer

Falar de mobilidade sustentável em Portugal, ou noutro país do mundo, corresponde a falar das funções mais importantes das cidades e dos territórios na atualidade.

Com a crescente concentração da população nos centros urbanos, recai uma pressão dantesca sobre os ombros da mobilidade nas cidades, aumentado exponencialmente o número de desafios a vencer.

Cerca de 2/3 das emissões de gases de efeito de estufa decorrem da mobilidade, baseada em veículos movidos em combustíveis fósseis, o que obriga a população a ter comportamentos sustentáveis, e a olhar para a mobilidade como um tópico, onde a sustentabilidade tem de fazer parte do principal racional.

Descarbonização da mobilidade

A comunidade internacional prometeu limitar o aumento da temperatura a um máximo de 2ºC comparativamente à era pré-industrial. Em conjunto, os governos, cidades, regiões, empresas, e cidadãos estão comprometidos a tomar medidas e a cumprir programas para alcançar essa meta.

 

A substituição dos veículos com combustíveis fosseis por veículos elétricos é um dos pilares fundamentais da mobilidade sustentável, mas ainda assim não é suficiente para resolver o problema em mãos.

 

Um dos exemplos desta afirmação é a mobilidade urbana de Lisboa: entram 370 mil veículos diariamente na capital portuguesa. Se todos estes veículos fossem elétricos, conseguíamos descarbonizar a cidade de Lisboa, mas não resolveríamos ainda o problema da mobilidade, em particular o problema do fluxo de trânsito.

São necessárias mais medidas de planeamento, comportamento e monitorização, já que a questão da mobilidade sustentável tem várias dimensões.

Definição de mobilidade sustentável

O conceito de mobilidade sustentável baseia-se em quatro pilares: técnico, económico, social e ambiental.

O maior desafio na mobilidade sustentável é assim criar soluções sustentáveis ​​do ponto de vista técnico, económico, social e ambiental. Devemos, pois, prestar atenção a todos os pilares da mobilidade sustentável.

Os desafios de mobilidade sustentável nas cidades

As soluções de mobilidade sustentável carecem da criação e do uso de ferramentas e indicadores especialmente desenvolvidos, respeitando as características de cada cidade.

 

Só podemos resolver o problema da mobilidade, quer seja em Portugal ou noutro país desenvolvido, se tivermos informações que caracterizem o problema, sendo que o setor privado deve fazer parte da solução, já que é responsável pela maior parte do transporte público nas nossas cidades.

 

Este setor pode ajudar na solução ao contribuir para a melhoria das nossas cidades, trabalhando em estreita colaboração com as autoridades municipais (na verdade, as autoridades de mobilidade locais), em especial na fase de planeamento.

Como podem as tecnologias de informação ajudar nos desafios?

As tecnologias de informação podem ajudar nestes desafios ao apoiar a construção de soluções multimodais integradas sempre com o objetivo em mente de mudar o nosso veículo pessoal por outros meios de transporte (motorizado ou não motorizado). Com a multimodalidade, precisamos de sistemas de pagamento novos e mais eficientes, nomeadamente Open Payment Systems, e compartilhar os dados de mobilidade com os Pontos de Acesso Nacionais (GTFS, NeTEx, SIRI, DATEX II, são alguns formatos necessários).

O CCG já está nesta nova dimensão de transformação digital, no âmbito da mobilidade, envolvido em vários projetos, através do seu domínio de investigação aplicada UMC. Um exemplo é projeto de descarbonização da cidade de Braga, com a coordenação tecnológica e de processos ligados à mobilidade, mas também os projetos na área do 5G e dos sistemas de informação e bilhética.

Solução da equação da mobilidade sustentável

O problema mais complexo a resolver na mobilidade é criar uma solução sustentável para os seus três principais atores: cidade, operador, cidadão. Cada um deles possui diferentes objetivos e necessidades.

  • As cidades desejam reduzir os fluxos de tráfego e a poluição, assim como melhorar a qualidade de vida dos seus cidadãos.
  • Os operadores almejam um transporte mais eficiente, a redução de custos, e o aumento da satisfação do cliente e do número de clientes.
  • Já os cidadãos requerem um transporte ajustado às suas necessidades reais, maior qualidade de serviço, e custos mais baixos em comparação com o seu veículo pessoal.

 

Para resolver esta equação precisamos criar soluções tecnológicas onde haja uma perfeita interceção entre os desejos destes três atores. Somente se todos vencerem, a mobilidade pode ser sustentável e o ambiente ter um final feliz.


Sobre o autor:

João Peixoto | Gestor de projetos @CCG, D.I.A. UMC

João Peixoto é Licenciado em Engenharia Informática, Mestre em Informática e Sistemas, e Doutorado em Tecnologias e Sistemas de Informação. É gestor de projeto no CCG: Centro do Computação Gráfica no D.I.A. UMC e investigador do Centro Algoritmi da Universidade do Minho. Os seus interesses de investigação centram-se na mobilidade humana, computação urbana, computação móvel e informação sensorizada.