Investir em I&D: as empresas e os setores em destaque em Portugal

Em tempos de enorme transformação, a inovação demonstra-se como um motor para o futuro das organizações. “Inovar ou desistir” é o novo paradigma no panorama empresarial, e a área de atuação passa pela Investigação & Desenvolvimento (I&D). As empresas nacionais entendem que para obter vantagem competitiva, é necessário investir  e potenciar a inovação nos seus processos, serviços e produtos.

Investir em inovação em Portugal

Segundo o estudo divulgado em janeiro 2019, pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), a despesa em I&D por parte das empresas portuguesas equivaleu a 0,67% do PIB nacional em 2017 (1.303 milhões de euros).

Este investimento em I&D nas empresas é liderado pela Altice, com quase o dobro do investimento do segundo classificado, a Sonae. Em terceiro lugar está a NOS.

Para além das telecomunicações, um setor que acelera na corrida à rede de quinta geração (5G), destaque ainda para a banca, com duas instituições bancárias (BCP e BPI) nos primeiros dez lugares do investimento em I&D em Portugal.

A nível de PME’s a maior fatia de investimento pertence ao CEIIA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento (Associação), com 15 milhões.

Seguem-se a Deimos Engenharia, S.A., a Brisa Inovação e Tecnologia, S.A., a Primavera – Business Software Solutions, S.A. e a Biosurfit, S.A.

Os benefícios de investir em inovação levam cada vez mais empresas a apostar na inovação tecnológica. Segundo o Innovation Scoring®, criado pela COTEC Portugal, o grau de inovação das empresas é diretamente correlacionado com os seus resultados: as PME mais inovadoras possuem um resultado líquido 7,8 vezes superior e um volume de negócios 3,7 vezes superior.

Nas PME mais inovadoras do país são identificadas quatro características-chave:

  • uma estratégia de inovação clara, sustentada e agregadora;
  • configuração da organização permitindo que esta inove recorrentemente;
  • definição de processos para operacionalizar a sua estratégia;
  • desenvolvimento de atividades transversais para potenciar a inovação.

 

O tipo de Investigação corresponde à Investigação fundamental, à Investigação aplicada e ao Desenvolvimento experimental.

As maiores despesas em atividades de I&D em Portugal encontram-se nos setores:

  1. Serviços (Altice é lider com 86 milhões euros),
  2. Indústrias química, farmacêutica e agroalimentar (Bial no topo com 38 milhões),
  3. Indústria de equipamentos, metalomecânica e outros (Grupo Simoldes na frente do pelotão com 13 milhões).

No cume dos domínios de I&D estão as:

  1. Ciências da Engenharia e Tecnologias (64%),
  2. Ciências Exatas e Naturais (17%),
  3. Ciências Médicas e da Saúde (11%).

A nível de localização geográfica, a área metropolitana de Lisboa (50%) e o Norte (35%) lideram este investimento.

Os recursos humanos em I&D são predominantemente do sexo masculino (69%), com relevo para os investigadores (70%) e para os técnicos (25%). Quanto ao grau de escolaridade, predomina o nível de licenciatura (55%) e de mestrado (25%).

Para investir em I&D, as empresas nacionais recorrem maioritariamente a fundos próprios (88%) e a fundos do estrangeiro (6%).

Fonte: Dados e imagens da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência – DGEEC


Inovação: o papel dos Centros de Interface Tecnológico

No contexto do investimento em I&D em Portugal,  os CIT – Centros de Interface Tecnológico são entidades fundamentais do sistema nacional de inovação e agentes de valorização do conhecimento científico e tecnológico, que potenciam a sua transferência para as empresas.

O Centro de Computação Gráfica (CCG) enquanto um CIT  apresenta-se como um parceiro estratégico nos processos de investigação e inovação das empresas e organizações que pretendam integrar processos, serviços e produtos inovadores, baseados em conhecimento científico e tecnológico e de elevado valor acrescentado.

O CCG está entre os principais stakeholders nacionais em termos de projetos financiados, com um volume de investimento superior a 1 milhão de euros em projetos de Indústria 4.0, de acordo com o relatório de abril de 2019 da ANI – Agência Nacional de Inovação.