O futuro da área urbana e móvel: uma Visão – 2025

A população mundial tem vindo a crescer, e está a crescer, a um ritmo alucinante. Como consequência, vamos passar a viver de forma diferente nas cidades, e vamos ter de resolver muitos problemas que antes não se colocavam.

Temos cidades que se estão a transformar profundamente, que são muito mais tecnológicas. Temos cidades que estão completamente atapetadas de dispositivos tecnológicos, cidades dotadas de capacidades fantásticas, e nós só estamos a utilizar uma pequena porção das suas potencialidades. Ainda temos um longo caminho a percorrer para aproveitar todas as suas funcionalidades, no sentido de melhorar a nossa vivência nos espaços urbanos.

O sensing urbano é uma tendência no contexto das smart cities. Milhões de euros são gastos atualmente a nível mundial para “sensorizar” as cidades, para produzir dados em enormes quantidades, dados estes que na realidade podem ser pouco relevantes. Observam-se planos que não estão a ser devidamente monitorizados e são instalados sensores que produzem dados sem valor acrescentado e sem qualidade.

Cidades sossegadas e cidades sustentáveis

As cidades encontram-se saturadas, existindo muitos desafios neste domínio. Nós queremos cidades sossegadas, queremos passar da “saturated city” para a “quiet city”, mas a tendência está a ser contrária. Temos de usar a tecnologia para dar uma nova arrumação ao espaço urbano. E isto envolve as competências de muitas pessoas, de arquitetos a geógrafos, de especialistas que têm de ter um papel muito ativo no planeamento urbano. Durante décadas, este esforço conjunto foi descurado em muitos países, incluindo Portugal.

 

(622 3rd Avenue, Nova Iorque, 66.8 decibéis) Créditos de fotografia: Quiet City Maps

 

Também queremos cidades sustentáveis. Muita gente nas cidades significa muita gente a alimentar-se. Há muitos exercícios que estão a ser feitos, de forma competente, de tornar as cidades mais sustentáveis, com produção agrícola e animal no espaço urbano, com o envolvimento das pessoas na produção dos próprios alimentos.

As smart cities abrangem uma quantidade enorme de subáreas de atuação que envolvem imensas tecnologias: smart parking, structural health, noise urban maps, smartphone detection, eletromagnetic field levels, traffic congestion, smart lightning, waste management, smart roads.

Estas são várias subáreas onde o grupo UMC – Urban and Mobile Computing do CCG tem atuado.

Cidades conectadas e pessoas conectadas

As cidades estão também cada vez mais ligadas. Hoje temos novas necessidades para as connected cities.

As novas cidades conectadas são aquelas que ligam uma infinidade de sistemas, sistemas estes que estão cada vez mais a atapetar os nossos espaços urbanos. Tudo está cada vez mais interligado e isto levanta questões de privacidade, mas também muitas oportunidades para produzir, para contribuir para uma cidade mais agradável, mais “quiet”.

As iniciativas 5G que estão a decorrer na Europa, uma área em que o UMC está a trabalhar ativamente, são muito importantes para contribuir para isto.

As cidades estão mais ligadas, mas também as pessoas. As pessoas querem-se cada vez mais ligadas entre si. Das pessoas ligadas passamos para as coisas ligadas, as “connected things”, muitas vezes relacionadas com a ideia da Internet das coisas. Isto é muito importante, pois tem impacto económico.

De acordo com um estudo de 2018 de uma operadora de telecomunicações, a Telia, conclui-se que as principais razões pelas quais as empresas olham para este mundo das connected things, e para estas oportunidades, é para aumentar a eficiência dos processos, para aumentar a eficiência da gestão dos recursos, para criar inovação em novas áreas e para inovar os negócios atuais.

Aquilo que de facto nós queremos fazer enquanto unidade de transferência de tecnologia é ajudar os nossos parceiros a aumentar a eficiência, a melhorar a inovação em novas áreas, a criar novos negócios ou a melhorar os negócios existentes. Essa é a nossa missão. Se conseguirmos fazer isso, estamos a contribuir para a sociedade, para as cidades onde queremos viver no futuro.

“O futuro da área Urban and Mobile Computing (Uma Visão – 2025)” é uma apresentação de Adriano Moreira, Coordenador Científico do grupo UMC – Urban and Mobile Computing do CCG.