Os Domínios de Investigação Aplicada do CCG: Presente e FUTURO – CVIG

A ciência da computação tem evoluído enormemente, proporcionado uma visão muito interessante ao longo dos tempos. Lembro-me, por exemplo, de trabalhar com um mini-computador que tinha 32kb de RAM, o que hoje parece inacreditável.

Estamos já celebrar os 60 anos da Inteligência Artificial (IA). Foi em 1956 que se reuniu um conjunto de professores nos EUA e definiram o termo de Inteligência Artificial.

A verdade é que a evolução tecnológica não abranda. E o domínio de investigação aplicada CVIG – Computer Vision, Interaction and Graphics também não. Em setembro de 2015, o CVIG era constituído por uma equipa de 5 pessoas. Conseguimos crescer, chegando neste momento a um total de 17 pessoas, com diferentes formações e nacionalidades.

Temos alavancado uma grande quantidade de projetos, sobretudo a nível nacional. No entanto, para fomentar o conhecimento e manter o CVIG na vanguarda do desenvolvimento tecnológico, queremos participar em mais projetos internacionais, de longo prazo, projetos que potenciem a investigação e a aprendizagem de tecnologias de ponta. Assim, o road map do CVIG vai estar mais focado nos projetos europeus.

Futuro do CVIG – Áreas de investigação científica

O CVIG tem como atividade core servir de interface, sobretudo para as empresas, em 4 áreas fundamentais:

  1. computação gráfica,
  2. visão computacional,
  3. interação homem-máquina,
  4. inteligência artificial.

Temos um legado a manter. O nosso centro de investigação nasceu precisamente nesta área da computação gráfica. Temos identificado algumas áreas que achamos que são importantes para podermos manter bem vivo este legado. Queremos ser representativos a nível nacional e internacional do melhor que se faz nestas áreas: visão computacional, inteligência artificial, realidade virtual, realidade aumentada, realidade mista.

Identificamos então no nosso road map para este período até 2025 as seguintes áreas científicas base: visão por computador, computação gráfica, interação homem-máquina – as áreas iniciais que tínhamos trabalhado – mas agora com maior reforço na área da Inteligência Artificial.

Definimos a partir daí linhas de investigação como as áreas da visão artificial, dos ambientes imersivos, do processamento de imagem, das técnicas de visual analytics, e também os assistentes virtuais – que já anteriormente tínhamos desenvolvido, mas agora com outra ótica, conferindo-lhe um novo potencial.

 

Futuro do CVIG – Áreas de aplicação

Temos apostado nas aplicações na indústria 4.0, nos algoritmos de inspeção ótica, nos sistemas de condução autónoma.

Na área da visão por computador fomentamos uma combinação com técnicas de IA, e neste momento apresentamos já tecnologias para levar ao mercado na área de reconhecimento de objetos e de pessoas.

O projeto AGATHA é um exemplo interessante. Tem como destinatários a polícia judiciária e a polícia de investigação criminal, um projeto no qual participam também duas empresas e a Universidade de Évora.

Temos obtido muito sucesso na área da indústria, e queremos ter o mesmo sucesso na área da saúde. Durante muitos anos trabalhei na área da análise da imagem médica e noto uma mudança de paradigma – sobretudo na área da radiologia: uma passagem do paradigma qualitativo ao paradigma quantitativo.

Assim, dentro desta área, o CVIG vai apostar na imagem quantitativa, sobretudo na identificação de biomarcadores de imagem médica para relacioná-los com variáveis clínicas, e também na reconstrução 3D, como suporte ao estudo de órgãos do corpo. Considero que o caminho a tomar é esse.

Tenho vindo a participar regularmente nas maiores conferências na área da imagem médica do mundo, como o Congresso Europeu de Radiologia. Nestas conferências verifica-se uma aposta grande nesta componente dos biomarcadores quantitativos da imagem médica.

Acredita-se que entre 5 a 10 anos todas as análises imagiológicas serão realizadas por máquinas. Não sei se vamos ficar muito convencidos com esta realidade ou não, mas é uma tendência a ter em conta. Do meu ponto de vista, as ferramentas para análise automática das imagens médicas são cada vez mais necessárias.

Ainda a mencionar no nosso road map de futuro temos a aposta na área da herança cultural, do entretenimento digital, da educação e do marketing.

É esta a estratégia do domínio CVIG para o futuro próximo.


Sobre o autor:

Miguel Guevara | Coordenador de Desenvolvimento @CCG, D.I.A. CVIG

Miguel Guevara é licenciado em Matemáticas e doutorado em Ciências Técnicas. É investigador sénior e Coordenador de Desenvolvimento do Domínio de Investigação Aplicada CVIG. Possui uma experiência como professor e investigador de mais de 28 anos, na área da Ciências da Computação, e já publicou mais de 80 trabalhos/artigos de carácter científico.