Como trazer a inteligência artificial para a sua empresa

A Inteligência Artificial (IA) é um dos tópicos tecnológicos mais versados dos últimos anos, um tema que tem gerado uma infinidade de debates sobre prós e contras, vantagens e desvantagens, entre outras facetas importantes, e do qual não se sabe em concreto o curso que poderá tomar.

O facto é que na última década verificou-se um aumento dos investimentos em IA, maioritariamente realizado por fundos de capital privado ou de risco (75%). A França (165 acordos no valor de 1357 milhões de dólares), Alemanha (140 acordos e 520 milhões de dólares) e Dinamarca (21 acordos e 330 milhões de dólares) são os países que mais investem em IA, de acordo com o estudo “Inteligência Artificial na Europa” de 2018 da consultora Ernst & Young.

Neste artigo propomos analisar a inteligência artificial e como a aplicar nas empresas de forma eficiente.

O que é a Inteligência Artificial?

A primeira definição de IA remonta a 1956, referindo-se à capacidade de as máquinas pensarem e aprenderem de forma similar aos humanos (“A ciência e engenharia de fazer máquinas inteligentes”, John McCarthy).

 

Hoje em dia temos uma definição simples de IA: sistemas que realizam ações que, se efetuadas por humanos, seriam consideradas inteligentes.

 

Esta definição está mais de acordo com os desenvolvimentos atuais do que a primeira definição dada de IA.

Tarefas associadas à IA:

  • Sensing
  • Aprendizagem de linguagem
  • Resolução de problemas
  • Geração de linguagem
  • Controlo e robótica

 

Imagem: Tarefas associadas à IA. CCG

A Inteligência Artificial em Portugal

As empresas nacionais já estão cientes das vantagens e da importância da inteligência artificial. Segundo o mesmo estudo “Inteligência Artificial na Europa”:

  • 91% dos líderes das organizações em Portugal espera que a IA beneficie os negócios através da otimização das operações.
  • 77% acredita que esta tecnologia será fundamental para envolver os clientes.
  • 73% considera que a IA vai libertar os trabalhadores de tarefas repetitivas para se dedicarem a atividades de valor acrescentado.
  • 55% acredita que vai garantir melhorias na transformação de produtos e serviços.
  • 45% das empresas portuguesas ainda não iniciaram projetos-piloto com IA para melhorar os seus processos e tarefas.

Como implementar a Inteligência Artificial nas empresas

Muito se fala em tecnologia, mas ninguém fala em como implementar essa mesma tecnologia. Como pode a inteligência artificial funcionar nas empresas?

De seguida, apresentam-se algumas dicas de como se pode materializar a IA nas empresas.

Resumidamente, os grandes passos que as empresas deverão dar, se pretenderem avançar com algum produto na área da IA, são:

  • Pensar na funcionalidade: temos que desenvolver aplicações que sejam funcionais e que resolvam o problema do utilizador final.

Uma empresa quando vai abordar esta temática, a primeira pergunta que tem a fazer é se é funcional aplicar a IA. Esta funcionalidade é suportada por algoritmos e dados, mas os algoritmos são só um instrumento.

  • Devemos ter em conta que IA engloba diversas componentes, não é só deep learning, não é só machine learning, são sim, várias áreas que suportam a IA.

É, neste sentido, importante saber qual destas tecnologias que suportam a IA se vai utilizar para desenvolver o trabalho.

 

Imagem: As diversas sub-áreas da IA. CCG
  • Colocar 3 questões:
  1. Tarefa – A sua tarefa é genuinamente orientada por dados?
  2. Dados – Será que os dados que temos são suficientes para suportar a abordagem que se vai fazer?
  3. Escala – Existe possibilidade de escalar? Há capacidade de expandir?

Note-se que a eficaz implementação desta área nas empresas, passa igualmente pelo importante papel das universidades na construção e na evolução da IA. Presentemente, o foco maior está nas tecnologias e não em como pensar nestas atividades para o futuro. Atualmente, temos a deep neural network mas, no futuro, pode aparecer outra tecnologia. A IA requer integração, ou seja, temos de ter aprendizagem, temos de ligar os negócios e a tecnologia, as ideias e a sua execução, ligando o pensamento e a engenharia, que é o meio de ligar isto tudo.

É importante certificar de que os sistemas inteligentes trazidos para o seu local de trabalho são capazes de comunicar não apenas a resposta, mas também o raciocínio e os dados que a suportam.

Métricas a considerar

Exemplos de métricas a ter em conta na hora de identificar e de resolver um problema com recurso a inteligência artificial:

  1. Deixar o negócio conduzir o caminho.
  2. Pensar em tarefas e não em trabalhos.
  3. Entender o problema e quais são as metas.
  4. Avaliar os dados de uma perspetiva humana e não só no que dizem os algoritmos.
  5. Estar seguro de que os dados são suficientes e de qualidade.
  6. Entender o que está a ser aprendido e como será utilizado.
  7. Saber se o alvo é apreensível, consoante os dados disponíveis.
  8. Considerar como a solução será integrada no fluxo de trabalho.
  9. Começar com um design simples e próximo do ROI a curto prazo.
  10. Considerar o impacto dos requisitos regulamentares.

Sobre o autor:

Miguel Guevara | Coordenador de Desenvolvimento @CCG, D.I.A. CVIG

Miguel Guevara é licenciado em Matemáticas e doutorado em Ciências Técnicas. É investigador sénior e Coordenador de Desenvolvimento do Domínio de Investigação Aplicada CVIG. Possui uma experiência como professor e investigador de mais de 28 anos, na área da Ciências da Computação, e já publicou um total de 85 trabalhos/artigos de carácter científico.