Cidades Inteligentes: Sobre evolução – Uma perspetiva.

O conceito de cidade inteligente está presente nas agendas dos principais stakeholders que gravitam em torno de cidades, de municípios, ou de uma forma mais lata, de questões do território. Isto é verdade tanto nos países desenvolvidos, como nos países em desenvolvimento. Essa preocupação advém das mais-valias aportadas pelas tecnologias de informação na gestão de uma cidade, como também devido à contínua degradação da qualidade de vida nas cidades. Por um lado, o aumento de população urbana não tem precedentes, estando estimado pela ONU que a população mundial urbana aumente de 52% para 80% até 2050. Esse aumento também se pauta em aumentos dos níveis de poluição e de congestionamento das cidades. Existe, assim, o desafio de melhorar a qualidade de vida para os cidadãos urbanos, servindo também como um motor para o desempenho económico, bem como de potenciar uma utilização eficiente de recursos, apoiando uma sustentabilidade ambiental. As tecnologias de informação, aliadas ao capital humano de uma cidade, podem ser o meio de efetivar essa inteligência e de atingir os objetivos de tornar uma cidade sustentável do ponto de vista social, económico e ambiental.

 

“As tecnologias de informação, aliadas ao capital humano de uma cidade, podem ser o meio de efetivar essa inteligência e de atingir os objetivos de tornar uma cidade sustentável do ponto de vista social, económico e ambiental.”

 

Pode definir-se uma cidade inteligente como um domínio multidisciplinar, que junta diversas áreas de intervenção e competências para atingir o desenvolvimento. Estas áreas são, no seu núcleo, suportadas pelas tecnologias de informação, daí a sua dotação de inteligência, mas devem ter também uma forte orientação para a sua governação, apoiada na participação cívica, assim como serem fontes de desenvolvimento económico. As cidades inteligentes precisam, por isso, de planos de ação que lhes permitam monitorizar a implementação de iniciativas, assim como medir os benefícios esperados de cada investimento e, com isso, existir a compreensão de que as tecnologias de informação não são um fim, mas sim um meio para atingir a inteligência.

“Pode definir-se uma cidade inteligente como um domínio multidisciplinar, que junta diversas áreas de intervenção e competências para atingir o desenvolvimento.”

 

Cada cidade é diferente, e foi “construída” e desenvolvida assente em diferentes paradigmas. Neste sentido, qualquer desenvolvimento e evolução, pensado para uma cidade, deve ter em conta essa realidade e que paradigma vai querer atingir. Para a melhoraria da qualidade de vida dos cidadãos, é preciso perceber as suas necessidades, mas também perceber quais as necessidades de uma cidade. Esta pode focar numa evolução derivada das tecnologias de informação, ou ter uma evolução focada nas necessidades de uma sociedade, apoiada pelas tecnologias. Pode também ser uma cidade inteligente do ponto de vista de uma indústria competitiva e avançada, que crie um ecossistema urbano, ou uma cidade avançada do ponto de vista ambiental, que faça uso de tecnologias verdes, e seja o pináculo da sustentabilidade ambiental. Cabe aos decisores pensar o caminho a trilhar e escolher as melhores iniciativas que deverão apoiar, mas tendo sempre em consideração qual o paradigma de evolução pretendido, que a transformação é lenta e é necessária, e que as tecnologias de informação são um valioso suporte.

 

“Uma cidade pode assim focar numa evolução derivada das tecnologias de informação, ou ter uma evolução focada nas necessidades de uma sociedade, apoiada pelas tecnologias.”

 

Para suportar essa evolução, e possibilitar uma monitorização, existem diversas ferramentas e modelos que podem ser utilizados. Uma ferramenta, na forma de modelo, que pode responder a essa necessidade, de considerar um paradigma de evolução, que define e mede áreas de atuação, e permite prescrever ações para se atingir a evolução pretendida são modelos de maturidade. Um modelo de maturidade tem como principal objetivo melhorar processos de uma organização, tornando-os eficientes, a partir de caminhos evolutivos definidos. Uma organização evoluiu com base em níveis de maturação definidos, e cumulativos, que são medidos através de indicadores. É assim importante também no domínio das cidades, desenvolver modelos de maturidade que definam caminhos de maturação, que permitam adaptar e configurar critérios de monitorização para serem aplicados a diferentes cidades e que considerem uma cidade de forma holística.

 

Fontes:

  • J. Norris and Ordnance Survey, “Future Trends in Geospatial Information Management: The Five to Ten Year Vision,” 2015
  • GVB03014-USEN-00, “IBM Smarter City Solutions,” New York, 2014
  •  P. Neirotti, A. De Marco, A. C. Cagliano, G. Mangano, and F. Scorrano, “Current trends in Smart City initiatives: Some stylised facts,” Cities, vol. 38, pp. 25–36, 2014
  • IEC WP Smart Cities:2014-11(en), “Orchestrating Infrastructure for Sustainable Smart Cities,” 2014
  • R. G. Hollands, “Will the real smart city please stand up?,” City, vol. 12, no. 3, pp. 303–320, 2008
  • CMU/SEI-2006-TR-008, 2010. CMMI for Development, Version 1.3 CMMI-DEV, Carnegie Mellon University
  • Becker, J., Knackstedt, R., Pöppelbuß, J.: Developing Maturity Models for IT Management. Bus. Inf. Syst. Eng. 1, 213–222 (2009)
  • Beecham, S., Hall, T., Britton, C., Cottee, M., Rainer, A.: Using an Expert Panel to Validate a Requirements Process Improvement Model. J. Syst. Softw. 76, 251–275 (2005)
  • Pereira, P. & Machado, R.J., 2014. Cidades de Amanhã: A Integração entre Património Contruído e Tecnologias de Informação, Comunicações e Eletrónica. Ingenium – Ordem Dos Engenheiros, 139, pp.24–27

 


pedro

Pedro Torrinha | Gestor de Negócio @CCG

  • Pedro Torrinha é Gestor de Negócio do CCG, estando igualmente integrado, como investigador, no Centro ALGORITMI do grupo SEMAG. É formado em Economia, pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, com uma Pós-Graduação em Gestão pela Business School IESF. Atualmente está a finalizar um Mestrado em Sistemas de Informação, com dissertação no domínio das cidades inteligentes.