CIT – Centros de Interface Tecnológico: o que podem fazer pelo seu negócio?

Centros de Interface Tecnológico (CIT). Já ouviu falar? Os CIT são instituições que implementam atividades de Investigação, Desenvolvimento e Inovação (I&D+I), com impacto nos serviços e nos produtos das empresas.

Estas entidades, reconhecidas pelo Governo Português, em novembro de 2017, sob proposta da Agência Nacional de Inovação (ANI), promovem a transferência tecnológica e a inovação nas empresas, através de:

• processos de certificação,
• melhoria da qualidade,
• eficiência na produção,
• apoio a atividades de inovação,
• acesso a tecnologias em desenvolvimento,
• formação de recursos humanos.

Assim, os CIT constituem-se como entidades fundamentais do sistema nacional de inovação e agentes de valorização do conhecimento científico e tecnológico.

 

CIT – áreas e localização

Existem 28 entidades reconhecidas como CIT de norte a sul do país, em diferentes áreas.

Imagem: Fonte ANI

Algumas destas entidades estão orientadas para a temática da digitalização e indústria 4.0.

Estes 28 centros têm mais de 3350 associados e representam um volume de negócios de mais de 128 milhões de euros.

 

Ganhar vantagem competitiva através da I&D+i

A inovação é um fator-chave para o sucesso das empresas. O grau de inovação das empresas está diretamente correlacionado com os seus resultados. As PME mais inovadoras de Portugal possuem um resultado líquido 7,8 vezes superior e um volume de negócios 3,7 vezes superior, segundo o Innovation Scoring®, criado pela COTEC Portugal.

Os benefícios de investir em inovação levam, portanto, cada vez mais empresas a apostar na inovação tecnológica.

Assim, uma dicotomia que se pode fazer não é tanto entre grandes e pequenas empresas, mas sim entre empresas que querem verdadeiramente inovar e as que não querem, entre as que colocam a inovação no âmago da sua estratégia empresarial e as que não.

Contudo, uma empresa não consegue inovar por si só. Para fomentar a inovação é necessário diversificar os atores e as relações. Um CIT pode assumir-se como um innovation broker, como uma entidade que é um hub de inovação. Juntamente com as empresas, um CIT pode intervir em todas as dimensões do processo de inovação – desde a definição de roadmaps tecnológicos ao desenvolvimento de soluções que melhorem a organização e os seus resultados.

O objetivo é desenvolver o mercado: tentar capacitar as empresas e levá-las a perceber sobre a importância da inovação, da ciência, da tecnologia, para o desenvolvimento dos seus próprios negócios.

 

Um CIT, ao deter investigadores com alto nível de conhecimento científico e tecnológico, garante a excelência em todo o processo, ao juntar o talento, a formação científica – tecnológica especializada, às necessidades reais das empresas. Desta forma, os centros tecnológicos são aceleradores da transferência de tecnologia, desde a investigação às necessidades do mercado.

 

Ecossistema de inovação – CIT – uma ponte entre o mundo académico e o mundo empresarial

Para implementar a  inovação, é necessário potenciar a colaboração. A confiança e a linguagem comum são duas questões importantes para articular o mundo académico e o empresarial. Os CIT constituem-se, deste modo,  como instrumentos muito importantes de aproximação e de valorização do conhecimento.

Um ecossistema de inovação compõe-se, em primeiro lugar, pelos agentes de inovação. Em segundo, pelas relações que eles estabelecem entre si. Em terceiro, pelo impacto que cada um destes agentes cria nos outros (pela força da sua ação e destas interações).

É necessário haver instituições que façam a ligação entre as universidades e as empresas, que têm diferenças e objetivos bem distintos, e destas instituições com a sociedade. É necessário um interlocutor. Cabe ao CIT fazer essa ligação perante os sectores em que a transferência se depara com algumas resistências.

Os CIT são uma ponte entre o sector académico e as empresas, facilitando e promovendo esta interação entre os agentes, tendo um papel fundamental no fortalecimento do ecossistema como um todo.

 

CIT: preparar o caminho do futuro

Segundo o European Innovation Scoreboard 2018, Portugal é ainda um inovador moderado. A valorização de conhecimento é uma das principais razões para Portugal ainda não ter evoluído para o grupo dos países mais inovadores da Europa e do mundo. Só possuímos 1% das empresas do tecido empresarial ativo com atividades de investigação e desenvolvimento,  inovação (I&D+i) aplicada.

Imagem: Fonte European Innovation Scoreboard 2018.

Os CIT perspetivam um horizonte temporal a médio-longo prazo, o que é muito importante para as empresas a nível estratégico nas suas capacidades tecnológicas e de penetração de mercado.

Os CIT têm um papel primordial nos grandes projetos, em fase pré-concorrencial, a perspetivar as tecnologias que vão chegar ao mercado provavelmente daqui a uns 10 anos. São um território neutro onde diferentes empresas do mesmo sector, que poderão ser concorrentes numa dada altura, se sentem confortáveis e podem colaborar.

É inegável que as TIC estão a mudar toda uma indústria. A conclusão a que se chega é que é necessário que as empresas invistam mais em I&D e em “digital skills”. Será a colaboração das empresas com o Sistema Científico e Tecnológico que permitirá alavancar os resultados.

Este artigo resulta do debate: “Transferência de Tecnologia (Universidade – Empresa): O Papel dos CIT”. CCG. 23-11-2018.

  • Moderador: Carlos Neves, CCG
  • Convidados:
  • António Bob Santos, Administrador ANI – 3:50
  • Jorge Posada, Diretor Associado da Vicomtech e Presidente da GraphicsMedia.net – 24:52
  • João Bigotte, Prof. inovação e empreendedorismo do Programa MIT Portugal – 35:20
  • Fernando Romero, Investigador e Docente da UMinho – 51:10
  • Augusto Ferreira, Diretor Geral da TecMinho – 58:34
  • Debate: 1:08:56

O Centro de Computação Gráfica (CCG) é um dos CIT para a tecnologia digital. O CCG apresenta-se como um parceiro estratégico nos processos de investigação e inovação das empresas e organizações que pretendam integrar processos, serviços e produtos inovadores, baseados em conhecimento científico e tecnológico de elevado valor acrescentado.

O CCG está entre os principais stakeholders nacionais em termos de projetos financiados, com um volume de investimento superior a 1 milhão de euros em projetos de Indústria 4.0, (relatório de abril de 2019 da ANI).