CCG realizou Think Tank “Incêndios rurais: uma abordagem utilizando tecnologias de informação”

O Centro de Computação Gráfica (CCG) realizou uma sessão Think Tank, dedicada à temática dos incêndios rurais, no dia 31 de outubro, nas suas instalações, no Campus de Azurém da Universidade do Minho, em Guimarães.

Esta sessão reuniu cerca de 40 representantes de variadas instituições, desde órgãos públicos a empresas privadas, para discutir como aplicar as novas tecnologias de informação no combate aos incêndios rurais. O evento sentou à mesa Fornecedores de tecnologia/serviços, Câmaras Municipais, Bombeiros, Proteção Civil, Associações de Produtores Florestais, Empresas e outras Entidades de administração/gestão do território.

Alguns dos maiores especialistas das suas áreas estiveram presentes e tiveram a oportunidade de expressar as suas ideias e de formular possíveis soluções. Terá sido uma das primeiras vezes que foram reunidas tantas e variadas entidades para discutir este problema que continua aparentemente sem soluções.

Desafios nos incêndios rurais

Depois da apresentação do trabalho do CCG/UMC aos presentes, formaram-se três grupos de discussão, dividindo-se os grupos em três diferentes espaços, para debater múltiplas e interessantes questões tecnológicas ligadas à proteção de incêndios rurais.

Os pontos de partida para a discussão foram:

  • Porque continuam os incêndios a ser uma inevitabilidade?
  • Quais são os principais problemas a enfrentar?
  • Quem poderão ser os agentes de mudança?
  • Como pode a tecnologia contribuir para encontrar soluções?

Soluções e conclusões do Think Tank

Coube ao UMC – Urban and Mobile Computing, o domínio de investigação aplicada do CCG intrinsecamente ligado aos dispositivos móveis e à computação urbana, reforçar as potencialidades tecnológicas para encontrar soluções nesta séria temática.

No que concerce a tecnologias debateu-se a utilização de drones e de sensores nas florestas, e no perímetro rural, da utilização de satélites, adaptação e densificação de estações meteorológicas, soluções de crowdsensing por exemplo. A interpretação de dados entre o Business Intelligence e o Business Analytics foi também analisada.

Foram discutidas questões como a legislação atual, o SIRESP, a proliferação das monoculturas florestais, a existência de muita informação dispersa, não centralizada, sem existir interoperabilidade entre as diversas partes envolvidas, reforçando-se que a qualidade e a fiabilidade da informação fica aquém do desejado. Com um território em constante mudança, levantam-se questões como quem é que atualiza a informação e como. É urgente construir uma plataforma de informação mais automática e democrática, com dados mais fiáveis e mais atuais.

Outra necessidade é a sensibilização da população em geral, desde as escolas aos proprietários, para a prevenção de incêndios e para a rentabilização de terrenos. Propõe-se verdadeira educação para as pessoas, em especial para os mais novos. A formação prévia a técnicos e aos vários agentes envolvidos foi também vista como sendo de enorme importância.

Uma das conclusões mais evidentes foi a existência de ações a tomar no antes, no durante e no após incêndios. Todas muito importantes e cruciais. Sendo que foi consensual que a maior aposta deve situar-se no antes.

São manifestas as dificuldades de comunicação entre os diversos atores envolvidos no combate. A colocação de pessoas habilitadas, dispondo de tecnologia, para combater incêndios rurais poderia aumentar muito a eficiência do processo e assim minimizar as perdas.

A qualidade dos debates proporcionados pelo excelente nível técnico dos vários participantes, resultou na necessidade consensual da realização de reuniões técnicas, de forma a trabalhar concretamente em soluções para estes grandes desafios. Não se promete uma solução para os incêndios que irão sempre existir, como sempre existiram. Mas há muito a fazer e a tecnologia pode ser um catalisador de várias soluções.


Esta ação tem o cofinanciamento do Programa Operacional Norte2020, e União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, no contexto de ações de Transferência de Conhecimento Científico e Tecnológico do CCG.